Saudações Tricolores. Pois ontem os nossos amigos uruguaxos coparam. E Toda imprensa esportiva, sem exceção, entoou cânticos de louvor e glória ao "renascimento" da Celéste Olímpica, etc e tal. Incrível como atualmente é cada vez mais fácil o sujeito esquecer as suas próprias palavras e se bandear para o lado que o vento sopra.
Há pouco tempo atrás, o Uruguay era, futebolisticamente falando, alvo do desprezo e da chacota dos comentaristas esportivos que, por increíble coincidência, são os mesmos que cantam em prosa e verso as habilidades malabarísticas dos nossos focas: Robinho, Neymar, Pato e cia.
Suáres e Forlan despontam em um time de operários sem vaidade, que envergam uniformes sem patrocínios, que dão entrevistas descabelados, sem parecerem que estão escolhendo o melhor ângulo para a foto. Lugano, Cáceres, Pérez ( sim, Pérez ), não estão preocupados com o sorriso colgate na hora da entrevista. Arévalo e Álvaro Pereira também não se abraçam sorrindo quando o Uruguai perde um gol.
Loco Abreu empresta a pequena dose de folclore, tão necessária.
Mas as diferenças vão além do campo de jogo.
Enquanto ao Uruguai já se basta "serem uruguaios" o Brasil precisa alugar suas cores para uma coleção de logotipos maior que os de um carro da Fórmula 1. Morra de inveja, Bernie Ecclestone: Nike, Vivo, Ambev, Itaú, TAM, Gillette, Grupo Pão de Açúcar e Volkswagen. Não sei se esqueci alguém...
O Brasil, tudo indica, só não terá uma nova edição do Maraanasso em 2014 porque não podemos ainda afirmar que a final da Copa será no Maracanã ou em alguma Arena que será construída e que vai levar a final por força de algum "naming righits", termo da moda por aqui, que nada mais é do que o apelido do estádio que foi abraçado por um patrocinador. Tipo aquele lance das empresas adotarem uma praça para colocar uma plaquinha, só com mais dinheiro envolvido. Aliás, muito menos podemos afirmar que o Brasil estará na final.
Mano Menezes foi uma escolha cirúrgica para emprestar um pouco de seriedade neste circo milionário e descompromissado com o futebol chamado Seleção Brasileira. Tal qual foi Dunga. Parece que os çábios da CBF já se deram conta que para tocarem seus projetos, precisam de um treinador gaúcho, bem intencionado, sério e a fim de entrar para história. Isso lhes assegura um quê de tranqüilidade para assinarem seus contratos. Basta repassar ao técnico, quem sabe, algum comercial de cerveja.
Aos amantes das tradições do belo futebol-arte brasileiro, promessas de grandes penteados, muito glamour e malabarismos até vencermos a Copa das Confederações com uma atuação de luxo e entregarmos a Copa para alguma seleção de operários sem vaidade e muito bem comandados, dentro e fora do campo.


