quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Geraldo, o Homem. Mazzaropi, a Lenda.

Naquela tarde fria de julho, no distante 1983, meu coração parou. Um pouco antes, no intervalo do almoço na lancheria de sempre da rua Riachuelo, eu havia decidido ir ao jogo. Almocei um honesto xis-salada e me toquei para o fim da linha do busão que me levaria para o Olímpico. Não sem antes recontar a grana que era abaixo do muito pouco. Mas fui.

Eu e pouco mais de 20mil gremistas. Foragidos, na sua maioria. Uma proeza da época pré-celular, onde poucas coisas não podiam ser deixadas para o dia seguinte.

Num cenário típico de Gauchão à moda antiga, com o campo no melhor estilo "potreiro no inverno" onde caneleira era uma frescura e falta tinha que deixar alguma seqüela no vivente, o Grêmio enfrentava um adversário perigoso, o América de Cáli. Respirava-se um ar cortante. A pequena vantagem no placar mantinha a torcida num limbo entre o nervosismo e a ansiedade, onde o tempo passa mais devagar. Na época, a semifinal da La Copa era disputada num triangular. Muitos hoje nem imaginam como seria uma fórmula assim.

Em campo De Leon, China, Tita, Renato. Lembro que perdemos muitos gols. O velho muxoxo de quem não faz, leva, volta e meia corria pelas arquibancadas úmidas. E então, o pênalti. Uma bola que tolamente encontrou a mão do Baidek. O empate determinaria para o Grêmio o fim do sonho. E o segundo-tempo já estava pra lá da metade.

O estádio estremeceu. Este Mosqueteiro, na época ainda não forjado nas grandes conquistas, sucumbiu ao mais extremo terror. Era o fracasso ali se materializando, frente aos meus olhos. Nem o ufanismo da juventude foi capaz de destruir a desesperança do momento. O vento frio do Olímpico nunca antes havia me gelado tanto. Aqueles vermelhos, o único time que havia batido o Grêmio até então dentro da competição, representavam 11 diabos encarnados para arrastarem time e torcida até os portões do inferno.

São estes raros momentos que perpetuam as lendas. Com sua vasta cabeleira negra, Geraldo Pereira de Matos Filho, o Mazzaropi, tinha os olhos fixos na pelota. Foi uma cobrança forte, sem firulas, como pede um jogo desta responsabilidade.

Num frenesi de músculos, tendões e nervos, Mazzaropi deu um passo à frente e alçou um voo, tal qual um míssel Patriot em direção a um SCUD provindo do inferno, mão trocada, canto direito, no alto, mandou a bola para escanteio e a desgraça de volta para o colo do demônio.



Os poucos doentes, fanáticos, inconseqüentes e desocupados que desafiaram o frio daquela tarde testemunharam ali uma das maiores e mais importantes defesas que o Grêmio já havia necessitado em toda sua história. Não ouso imaginar o que teria sido para nossa hstória se aquela bola tivesse sacramentado um empate.

28 anos, dois meses e dois dias depois, eu pude, finalmente, dizer pessoalmente a ele: obrigado. Foi um PRESENTE dos meus AMIGOS do Gremio Libertador, que o convidaram para o nosso futibas semanal, com direito a atuação e churrasco. Coisa para se lembrar para sempre.

Pois no fim, meio sem jeito, cheguei de canto e falei:
- Muito obrigado Mazza, por tudo que fizestes pelo Grêmio.

E sabe o que ele me disse?
- Que nada, eu que tenho que agradecer.

Mazzaropi, a lenda, só existe por que foi construída sobre Geraldo, o homem.





Carisma, simplicidade, humildade, sabedoria. Um orgulho para todos os Gremistas, de todas as idades.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Caso ISL - O voto dos Conselheiros

Confira no site do Imortal Tricolor a lista com o voto dos Conselheiros do Grêmio na reunião desta quinta-feira última: http://blogremio.blogspot.com/

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