Ouvi de alguns morangos que a gente estava tão mobilizado contra o PILANTRA porque era um caso de amor. Mentira.
Nunca houve entre Ronaldinho Gaúcho e a torcida do Grêmio um caso de amor. O que havia era uma paixão. Paixão intensa, com direito a juras e promessas desta paixão ser transformada em um amor próspero e duradouro. Paixão que era declarada publicamente pelo ainda promissor Ronaldinho em um dia e que desapareceu em 24 horas através de uma espetacular fuga para o PSG. O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Mas a paixão traída facilmente se transforma em ódio, remete ao desejo por vingança.
E mesmo assim, em alguns momentos, cogitou-se o perdão.
Por duas vezes, clube e torcida entabularam uma anistia ampla, geral e irrestrita. Um esquecimento das dores do passado. Uma reaproximação, um recomeço.
Contra o nosso tradicional adversário, o já consagrado R10 teve a chance de impedir sua maior conquista. Era a esperada redenção com sua antiga paixão, a torcida tricolor. Na malandragem malemolente de pagodeiro do morro, R10 jogou a não jogar e certamente ficou como sempre, “muito feliz” em ver nossos maiores rivais levantarem o título em Yokohama. Foi um cúmplice silencioso deste momento, os 15 minutos de fama do Gabiru, o herói inconveniente. Tenho certeza de que muitos de nós perceberam esta pilantragem. E suspeito também de que esta história um dia será esclarecida.
Então, 10 anos depois do caso PSG, eis que surge a família Moreira novamente na vida do Grêmio. E outra vez são ensaiados cânticos de perdão, desta vez não pela torcida, mas pela Direção. Surge novamente a ideia da união estável, enfim a consumação desta paixão em um relacionamento duradouro. Outra vez, palavras ditas em um dia eram solenemente desmentidas no outro. O Ronaldinho de muitas paixões e nenhum amor estava enfim no clube mais adequado à sua índole mentirosa. Do Flamengo sairá somente para o Showbol, para o pagode e para a Sapucaí. Afinal, ele mesmo disse: “ – Tamu junto, tô fechado com vocês e agora eu sou mengão “. Era 12 de janeiro de 2011.
Quase 1 ano depois, o mengão veio nos visitar em Porto Alegre. Trouxe não apenas o R10, mas toda sua corte, seu séquito de seguranças e sua dívida despreocupada de mais de 300milhões de reais. Normal, afinal de contas o mengão é o único clube do Brasil que foi patrocinado pela Petrobrás durante 25 ANOS, abençoado generosamente pelo Governo, pela Globo e pela CBF.
Nada disso foi suficiente para impedir a tão esperada vingança.
Materializada pela virada histórica e – principalmente - pela inesquecível manifestação dos 44 mil representantes da torcida tricolor. Todos, numa só voz, disseram ao R10: - PILANTRA. Nota para a oportuna criação viral dos meus amigos do Gremio Libertador. Foi a nossa torcida, meus amigos, a torcida Gremista que protagonizou a justa paga para todos os mercenários do futebol, esculachando seu representante-mor. O caminho está aberto. Em breve outras torcidas também se erguerão contra seus mercenários.
Já o time, este protagonizou um jogo histórico. Os heróis de ontem serão, por muito tempo, lembrados. Até mesmo Celso Roth, que pode ser burro ou teimoso, mas tem um senso de oportunidade de dar inveja ao diabo. Reconciliou-se com Miralles, com a torcida e com a imprensa, tudo numa substituição só.E o R10? Pois este presenteou a torcida do mengão com sorrisos e evasivas ao sair de campo, depois de seu time levar 4 gols numa virada vexatória. Ele ri quando ganha, quando empata e quando perde. Ri como um retardado ou como um malandro, cujo único e verdadeiro time é o Moreira Futebol Clube.
Foi inesquecível. Mas que se repita, em escala cada vez maior, tantas e tantas vezes quanto esse mau caráter venha pisar nos domínios do Grêmio.
Afinal, aqui, Coração Manda.



