Aquilo que mais aproxima Santa Maria da pequena Oruro, na Bolívia, é que ambos os casos resultaram na morte banal de jovens. Mortes estas que poderiam ter sido facilmente evitadas.
O caso de Santa Maria serviu para demonstrar a ineficácia do Poder Público em toda sua magnitude. Seus representantes apressaram-se em deflagrar uma cruzada heroica contra todos os tipos de estabelecimentos, com pompa e circunstância. Demagogia explícita de quem apenas deixou de fazer o que deveria ter feito. Demagogia canalha, jogada na nossa cara.
O crime de Oruro choca mas não surpreende. Ao menos não deveria. Embora alguns conhecidos jornalistas esportivos tenham afoitamente decretado que chegamos ao ápice da barbárie nos estádios de futebol.
Não, caro leitor. Não mesmo. O Futebol já viveu dias muito mais escuros. Mas isso não é consolo. Nem justificativa. É uma mera constatação.
No caso Boliviano, repetiu-se um fato conhecido: o ingresso de arma letal dentro do estádio de futebol. Pois aqui mesmo, na prosaica Porto Alegre, capital do Estado do #RSMelhoremTudo, tivemos inúmeros casos. E digo isso sonegando meu clubismo, pois é um comportamento recorrente entre azuis e vermelhos. Falta apenas consumar-se a tragédia para que o Estado contribua com seu quinhão nas manchetes do mundo.
Nos dois episódios, assim como nos inúmeros outros que não terminaram em tragédia por mero acaso, o Estado Brasileiro falha não apenas na esfera preventiva. Mas falha ainda, de forma mais grave e mais contundente, na punição exemplar aos envolvidos. É a certeza da impunidade que não faz cessar a infração.
Mas isso é aqui no Brasil.
Tenho muita esperança na Bolívia.
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